quinta-feira, 30 de outubro de 2014

As crianças saudáveis...

... não têm 5 a tudo. Ao contrário do que os pais pensam, as crianças saudáveis são acutilantes, curiosas, têm a vista na ponta dos dedos e perguntam “porquê”. É tão estranho que as crianças, até entrarem nas escolas, estejam constantemente na idade dos “porquê” e, assim que entram, parecem sair precipitadamente dela — a escola devia ser quem mais incentiva o “porquê”. Os pais devem, no fundo, ter a noção de que as crianças saudáveis podem não perceber de uma matéria, gostar dela ou até não gostar de um professor. Eles não podem aceitar a ideia de que crianças saudáveis são as que têm sempre um comportamento irrepreensível. Isso não é razoável, nada na vida é assim. Os bons filhos são aqueles que nos trazem problemas, porque nós aprendemos à medida que os resolvemos. Às vezes, os pais parecem criar os filhos na expetativa que estes não lhes deem problemas — crianças que não o fazem são, invariavelmente, adultos infelizes. Não tenho nada contra os alunos que tiram boas notas, mas gostava que os pais fossem igualmente exigentes. Isto é, que quisessem muito que os filhos tivessem boas notas na escola, como filhos, como colegas, irmãos, netos…
(Eduardo Sá)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O que vier

Deixa vir.
O que ficar
Deixa ficar.
O que desaparecer
Deixa desaparecer.

(Autor desconhecido, citado por Mia num workshop de Minfullness)


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Há escolas que são asas

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para vo...ar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."
(Rubem Alves)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Herança...

Não é conveniente deixar muito dinheiro aos filhos..


Bill Gates
(Tradução livre de Armindo Jales)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A verdade sobre ter um terceiro filho...



Quando temos o primeiro filho, sentimo-nos o centro do universo: nunca ninguém teve um bebé antes, e este é o evento mais importante na história do mundo.
Somos capazes de dormir uma sesta todas as tardes e passeamos orgulhosas de mão na barriga à espera do grande dia! Sentimo-nos calmas e estamos sempre a rir. Adoramos as más disposições de grávida porque é sinal de que o bebé está a crescer. Fazemos uma alimentação saudável, de preferência com produtos biológicos, tomamos as vitaminas todas e não bebemos álcool. Estamos informadas e avisadas. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras de partos complicados. O nosso Obstetra fala connosco e seguimos os seus conselhos religiosamente.
As pessoas desdobram-se para ajudar nas compras, dão-nos as roupas dos seus filhos que já não vão usar. E ficam, realmente, entusiasmadas com a tua gravidez. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que Sim recebemos um grande e caloroso sorriso de boas vindas a este mundo novo da maternidade. Dizem-nos que vai ser a melhor coisa que já nos aconteceu na vida. E nós acreditamos.
Devoramos toda a literatura da especialidade, assinamos a “Pais e Filhos” e outras revistas on line. Montamos o quarto do bebé, planeamos como vai ficar, pintamos ou colocamos papel nas paredes. Passamos horas a investigar qual a melhor espreguiçadeira baloiço, o melhor sling e os melhores arneses. Protegemos todas as tomadas e esquinas da casa, mudamos os detergentes para um armário mais alto e que, para abrir a porta, é necessário inserir um código de 8 dígitos.
Cortamos cuidadosamente as etiquetas da roupa do bebé, e lavamos tudo duas vezes com um detergente super-XPTO orgânico, amigo do ambiente, e especial para a pele dos bebés. O meu filho não vai usar chucha, não vai chupar no dedo, vai mamar para sempre. Vou virá-lo todas as noites para não ficar com a cabeça achatada. Não vai assistir televisão até aos 8 anos, nunca vai ter telemóvel, nem piercings, e nunca vou deixar entrar brinquedos ou roupa dos desenhos da televisão em minha casa, como o Ruca ou a Dora.
Quando engravidamos do segundo filho, o mais velho é o centro do universo. Já nos esquecemos de todas as coisas de bebé, e só podemos gozar a gravidez à noite, quando o primogénito está a dormir. Nunca mais dormimos durante o dia, porque o mais velho já deixou a sesta. Quando entramos no 2ª trimestre de gravidez parece que estamos grávidas de 6 meses. Sentimo-nos stressadas e gritamos muito. Adoramos as más disposições de grávida porque são um bom motivo para descansarmos um bocadinho. Comemos os restos do prato do primeiro filho, tentamos não beber álcool, e às vezes, lembramo-nos de tomar as vitaminas.
Ficamos saturadas com a informação e os conselhos. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos mais velhos que fazem mal aos bebés. Esquecemo-nos de metade dos conselhos do nosso Obstetra.
Os amigos que já não querem ter mais filhos começam a “despejar”, em nossa casa, as coisas  de que já não precisam. Quer precisemos ou não. Todos querem tocar-nos na barriga. E perguntam-nos, onde quer que vamos, “É o primeiro?” Quando dizemos que Não, afastam-se com um ar desapontado…
Vamos buscar a literatura da especialidade, mas arrastamo-la por semanas sem sequer conseguir dar-lhe uma vista de olhos. Recomeçamos a ler a Pais e Filhos, mas agora interessamo-nos por outros tópicos, tais como facilitar a adaptação do irmão ao bebé que vai nascer. “Expulsamos” o mais velho da cama de grades, sem cerimónia, e dizemos-lhe que agora é um crescido e, por isso, vai dormir numa cama de crescidos. Fazemos a “reciclagem” dos brinquedos de bebé para perceber os que ainda dão para aproveitar, lavamos os lençóis do berço, compramos uns autocolantes de parede e um par de fraldas de recém-nascidos. Está feito o quarto do bebé. Olhamos para as espreguiçadeiras-baloiço, os slings e arneses, e questionamo-nos se vale a pena tirar aquilo da garagem.
O nosso filho mais velho já retirou todas as proteções das tomadas da casa e continua vivo, por isso não as repomos. Os detergentes estão debaixo do lavatório com um fecho anti-crianças.
Lavamos as roupas de bebé com detergente normal. Compramos um conjunto de bodies e deixamos perto do berço. De certeza que vai dar jeito. Eles só vão assistir à TV quando estivermos muito cansadas, resmungonas, ou a fazer o jantar. Eles só vão ter uma consola quando tiverem 3 anos. Nunca vão ter piercings. O Ruca e a Dora já fazem parte la de casa.
Já esquecemos tudo sobre planos de nascimento, e estamos ansiosas por aqueles 3 dias no hospital para fugir ao caos de nossa casa. Vai saber bem o descanso. Carregamos o telemóvel e verificamos se a net funciona, pois pretendemos ficar toda a estadia no Facebook. Não vamos preocupadas com o parto, mas questionamo-nos quanto à amamentação. Levamos protectores de silicone e cremes para o peito. Pelos sim pelo não levamos a bomba e dois biberãos. Só por causa das tosses.
Quando engravidamos do terceiro filho, o mais velho, em idade pré-escolar, e o segundo, até agora o mais novo, acham-se o centro do universo. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são graças ao apetite enorme que temos tido. Parecemos umas mortas-vivas, e aprendemos a dormir as sestas de olhos abertos durante as aulas de natação ou de ballet. Parece que estamos grávidas de 6 meses assim que acabamos de conceber. Só não estamos stressadas quando estamos a dormir. E, quando estamos a dormir, ressonamos.
Andamos com sacos de vómito na mala para sobreviver às más disposições da gravidez, e deitamo-los fora com as fraldas descartáveis. A nossa refeição principal é o almoço. Todas as outras são a correr ou não existem. Se os nossos filhos não comem salada nem vegetais, porque é que nós havemos de comer? Nem sequer tentamos deixar de beber álcool, até insistimos num copo de vinho, mas sabe pessimamente, e enfrascamo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas, e esquecemo-nos de as tomar durante toda a gravidez. Redefinimos a palavra “eternidade” baseadas nas constantes perguntas do filho mais velho sobre se “é hoje que o bebé nasce?”
Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés. Todos pensam que somos loucas ou irresponsáveis. E assumem que foi um acidente. Olham-nos de soslaio no supermercado quando nos vêem com dois miúdos, mais um a caminho, 2 cachos de bananas e vários iogurtes. As pessoas fazem questão de nos contar as suas histórias sinistras sobre os filhos do meio que acabaram por se tornar psicopatas. Ou políticos. Vemos o Obstetra no dia do parto.
As amigas que já não vão ter mais filhos, já perderam peso, estão giras, com um ar descansado e relaxado. Podem sair à noite e ter vida social. Não sentem nada mais do que pena por nós.
Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o terceiro, riem-se à gargalhada e vão-se embora.
Já não temos nenhuma literatura de especialidade como tínhamos, e já não há dinheiro para pagar assinaturas. Folheamos diversas revistas à espera de nos inspirarmos sobre o nome da criança. Tiramos o segundo filho da cama de grades num ápice, e treinamo-lo a largar as fraldas ainda antes de nascer o bebé. Se tudo correr mal, vamos rapidamente comprar outra cama de grades.
Vamos desencantar fraldas de recém-nascido que tinham sobrado dos outros, e pomos junto ao berço. Está feito o quarto do bebé.
Olhamos para o enxoval do bebé, que já passou pelos irmãos, e embora coçadinho, vai ter de dar. Instalamos uma TV no quarto dos miúdos. Nunca vão ter piercings antes dos 16 anos. A Dora e o Ruca estão por todo o lado….
O bebé nasce. E há-de ir para o infantário.
Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos olhar para o nosso marido e ficar eternamente gratas por estes três maravilhosos filhos que ele nos deu, e desculpá-lo por (quase) tudo o resto. A nossa vida é agitada, confusa e barulhenta, alguns gritos, frustrações e muito amor. Teremos muitos daqueles momentos de cortar a respiração, aquelas experiências únicas, aqueles dias fantásticos que fazem com que nunca nos venhamos a arrepender das escolhas que fizemos.

 
(Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids, artigo original de Shannon Meyerkort)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Podemos transformar a nossa vida...

... transformando a forma como nos sentimos.
(citado por Pedro Vieira)

Ou seja, perante uma mesma situação, eu posso sentir-me pessimista (ver o lado negativo da coisa) ou otimista (ver o lado positivo), posso considerar um erro meu como falhanço ou optar por enquadrá-lo como aprendizagem, posso sentir que outra pessoa fez algo por mal ou acreditar que o fez com a melhor das intenções ou porque não sabia fazer melhor... e estas opções que tomo na minha vida podem fazer a diferença...
CP

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Paciência

Entender que tudo tem o seu tempo. Que tudo vem a seu tempo. Dar o tempo necessário... Para crescer... Brotar... Florescer. Aceitar o ciclo da vida. Respeitar o fluxo do tempo. Observar o tempo passar. Esperar o tempo certo... Para plantar... Para colher... Para agir... Para seguir... Para aprender.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ser rico é uma boa coisa...


Ser rico é uma boa coisa. Não só porque tu e a tua família beneficiam com isso, mas extravasa esta realidade. O Lucro não é de soma Zero. Quanto mais ganhares mais impacto financeiro terás.


Mark Cuban (O Lagos dos Tubarões)
(Tradução livre de Armindo Jales)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

E o meu exercício diário...

... continua sendo decifrar as questões que a vida me dá. É quase um malabarismo, onde manter a lucidez é imprescindível. Então vasculho todos os espaços existentes em mim, E percebo que não preciso ter todas as respostas, basta não me fazer de desentendida e aceitar todas as perguntas. O maior erro do ser humano não é o vacilo que muitas vezes comete, mas se submeter a cegueira para obter somente a resposta que lhe interessa!"
(Fernanda Gaona)

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A pedra

O distraído tropeçou nela.
O violento projetou-a.
O empreendedor construiu com ela.
O homem do campo, cansado, usou-a como assento.
As crianças brincaram com ela.
Drummond poetizou-a.
David usou-a para matar Golias.
Miguel Ângelo fez com ela as mais belas esculturas.

Em todos os exemplos a diferença não estava na pedra, mas sim no homem.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Pobreza..

A pobreza é desnecessária.


Muhammad Yunus (Prémio Nobel da Paz)
(Tradução livre de Armindo Jales)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Digo, com frequência...

... que não sou passadista. Nem mulher de nostalgias.
Ensinou-mo a minha avó Joana, que sempre olhou em frente, apesar dos muitos filhos que teve e do muito de que abdicou, para ter a alegria de os criar. E depois deles, a fornada dos netos, a quem sempre transmitiu força.
Ensinou-mo, também, a minha mãe, essa mulher a quem, nem mesmo os dezoito anos de uma terrível doença, fizeram jamais baixar os braços.
Ensinou-mo, ainda, o meu pai, nessa sua permanente tolerância da diferença e na total confiança nas qualidades dos filhos.

Por isso, e para mim, passado é aquilo que se viveu e a alegria que dele se guarda. Para alimentar o presente e esperar o futuro. As dores, essas, não são passado. São esquecimento.

E, mesmo hoje, quando o tempo que vivi supera o que tenho para viver, a nostalgia tem pouco espaço para se instalar.

Tenho um presente que vivo como quero, porque sempre tentei adequar os sonhos às possibilidades. E não perdi nada com isso. Pelo contrário. Esta posição tornou-se uma filosofia de vida. Que me mantém "fresca" e permite gerir cada dia sem amarguras!

Mas não quereria eu, alguma vez, tornar ao passado? Não. Nem sequer aos muitos momentos de imensa felicidade que também tive. Porque essa felicidade só "existiu" naquele tempo, naquela mulher, naquelas circunstâncias. Dessas ocasiões ficaram os cheiros, os gostos, as gargalhadas, as ternuras, os amores. Repito "ficaram". E, se às vezes aparecem sem ser convidados, é porque no "presente" sinto algo semelhante. Não porque lamente o que tenha perdido.
 
(Helena Sacadura Cabral)


(PS: Amiga Isabel Sousa, obrigada por este lindo texto!)
IC


 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Assim é o Amor

"Milhares de velas podem ser acendidas a partir de uma única vela e nem por isso a vida da vela fica diminuída. Assim é com o Amor." (Buda)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A economia...

A economia é um organismo muito sensível...


Hjalmar Schacht
(Tradução livre de Armindo Jales)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Costumo dizer...

... tentando ser provocatório, que tornamo-nos pais com o segundo filho. Com o primeiro mistura-se tudo: a infância que tivemos e a que queríamos ter tido. Os filhos mais velhos passam sempre muito, porque, às vezes, os pais colocam expetativas exorbitantes sobre eles — mais parecem viver confinados a um guião. Se calhar não é por acaso que os filhos mais velhos são os “certinhos oficiais” de uma família e os mais novos são os rebeldes. Preocupa-me que não se dê espaço para ser-se filho e ser-se criança. É inquietante e estúpido. Crescer é uma receita razoavelmente simples: dar o mais possível de colo, um q.b de autoridade e o mais possível de autonomia.
(Eduardo Sá)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Seleciona as informações que te chegam.

Põe um filtro nos olhos e nos ouvidos e permite que só entre aquilo que não te vai pôr para baixo, porque, para isso, já basta o nosso dia-a-dia. Achas que também não sou julgada e criticada no trabalho? Pois sou, e muito! Só que optei por dar ouvidos apenas ao que me incentiva a melhorar, ao que me ajuda a corrigir os meus erros! O resto simplesmente finjo que não ouço ou deito fora.
(Paulo Coelho, in Adultério)