Perguntaram-me, há dias, "donde vinha". Achei graça à pergunta a que prometi responder. Não logo. Porque venho de muitos mundos, que preciso enumerar.
Venho do ventre materno. De um ventre que foi só meu durante nove longos meses. Venho da minha mãe, da sua carne, do seu instinto, do seu desejo. E dos do meu pai também. Do seu sopro de vida, no começo.
Venho dos pais dos meus pais, os meus avós. Sobretudo maternos, com quem cresci. Venho da Beira e do Alentejo, de onde eles eram naturais. Venho dos tios e dos primos com quem brinquei em criança e me ensinaram a rir. Venho dos filhos que alojei no meu ventre, como a minha mãe fizera comigo e a sua antes dela. Venho da casa dos amigos, onde passei noites e dias. Venho dos amores que tive, dos afectos que dei e recebi. Venho, enfim, de Ti que me deste, com amor, a vida que não pedi!
(Helena Sacadura Cabral)
(PS: Isabel Sousa, obrigada por este lindo texto!)
IC